Maior Museu da Bíblia do mundo é inaugurado na capital dos Estados Unidos

O Museu da Bíblia abriu suas portas na última sexta (17), no centro político dos Estados Unidos, Washington (DC). O museu foi inaugurado em um local estratégico e representativo: a apenas duas quadras do National Mall, área que agrega o Capitólio, local de reunião do Congresso estadunidense, também está próximo ao Instituto Smithsoniano, instituição educacional que abrange um complexo de dezenove museus e sete centros de pesquisa, que recebem milhões de visitantes por ano.

Em sua apresentação, os organizadores indicam que o Museu da Bíblia convida os visitantes a se engajarem com a narrativa, com a história e com o impacto da Bíblia através das exibições e das iniciativas impulsionadas. Um dos intuitos dos criadores é dar suporte a pesquisadores interessados em documentos e artefatos relacionados às Escrituras.

Segundo os fundadores, mais de cem estudiosos de todo o mundo foram consultados e ajudaram a desenvolver o conteúdo à mostra no local, um dos mais destacados sendo N. T. Wright. Na inauguração, três exposições permanentes ocupam o museu: uma sobre o impacto da Bíblia, outra sobre a história da Bíblia, e ainda uma que oferece uma experiência de imersão na narrativa bíblica. Essa última serve ao propósito de aclimatar o visitante à época de Jesus, replicando o ambiente de Nazaré.

Na entrada principal do museu, de cada lado há painéis de bronze, de doze metros de altura, que imitam as páginas da Bíblia de Gutenberg. Com tecnologia de ponta, ao entrarem no museu os visitantes recebem um guia digital, que exibe uma série de informações sobre as obras e os possíveis itinerários, dependendo do tempo disponível e do nível de interesse da pessoa. Para a entrada, é sugerida uma doação de 15 dólares, mas o visitante pode escolher ter acesso gratuito.

De acordo com informações do site Protestante Digital, com uma área de 130 mil m² – o maior museu dedicado à Bíblia no mundo -, divididos em oito andares, a construção do edifício começou há três anos com financiamento privado da família Green, dona da rede de lojas Hobby Lobby, e custou meio bilhão de dólares. As exposições permanentes contam com três mil objetos, incluindo 1.200 bíblias e manuscritos bíblicos, com várias cópias únicas. “Não é um sonho apenas meu ou da minha família; é um sonho de milhares de pessoas que amam este livro e o usam como guia para suas vidas”, declarou Steve Green, filho do atual presidente da Hobby Lobby, na inauguração do museu.

A polêmica: a Bíblia no centro do poder e da democracia

Segundo o site Protestante Digital, o museu tem recebido críticas por colocar a Bíblia no coração de Washington, o centro político da América, uma cidade basicamente liberal. Washington se destaca pela grande quantidade de monumentos que lembram importantes personagens, fatos da história do país, os valores mais marcantes da sociedade estadunidense, como a democracia e a liberdade.

Ao comentar sobre o fato, Mark Galli, editor da revista Christianity Today, diz que inaugurar o Museu da Bíblia ao lado de tantos importantes espaços norte-americanos, a sugestão que se tem é a de que não se pode entender o país a não ser que se esteja familiarizado com a Bíblia, que é parte da herança nacional dos Estados Unidos.

O diretor de comunicação do museu, Jeremy Burton, disse ao jornal Folha de S.Paulo que a meta das atividades do espaço não é evangelizar nem fazer proselitismo, e que sabia a organização sabia que receberia críticas dos dois lados. “Ouvi gente dizer que ‘não há Jesus suficiente´”, afirmou.

Mas os fundadores do museu da Bíblia acreditam que a simples exposição das Escrituras é o suficiente para fazer maravilhas, já que ela permanece “ viva e eficaz” (Hb 4:12). Em meio a essa discussão, Galli frisa ainda que, para os cristãos, a Bíblia não é uma mera peça de museu, muito menos um instrumento político ou partidário, mas um caminho através do qual encontramos a Deus.

Curiosidades do Museu da Bíblia

– O visitante do museu poderá ver desde uma Bíblia que pertenceu a Elvis Presley a uma enorme coleção de cópias da Torá. É a maior coleção privada de cópias da Torá no mundo.

– A exposição também aborda uma questão sensível da história americana. Mostra como as escrituras bíblicas foram usadas, em muitas ocasiões, para extrair argumentos a favor da escravidão.

– Há várias seções que mostram como a Bíblia influenciou e transformou o mundo em literatura, música, ciência, arte, arquitetura e moda por toda parte do mundo, além da história dos Estados Unidos.

– A exposição exibe uma das poucas cópias existentes da Bíblia imoral, também conhecida como Bíblia de pecadores ou Bíblia de adúlteros, datada de 1631. É uma Bíblia publicada em Londres que comete um erro crucial: o “não” do sétimo mandamento não aparece. Todas as cópias deveriam ter sido queimadas, mas cerca de dez foram preservadas.

 

Fonte: Ultimato Online – 21/11/2017

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